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CHOSMKY CONDENA O NEOLIBERALISMO E DEFENDE OS "MALUCOS DE PORTO ALEGRE"

 

A descrença na democracia é uma das obras do neoliberalismo. Essa é a opinião do norte-americano Noam Chomsky. O lingüista de 72 anos, estrela do Fórum Social Mundial (FSM), atraiu mais de 2 mil pessoas à Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), nesta sexta-feira, dia 1º, na inauguração das conferências sobre a paz. Falou durante uma hora e 10 minutos para atacar os senhores do universo que se reúnem em Davos e o terrorismo de Estado dos EUA e defender os malucos que se reúnem em Porto Alegre.

– Nós, os malucos, somos os anti-Davos, disse Chomsky, referindo-se a uma definição que os próprios neoliberais teriam cunhado para o FSM.

Para Chomsky, o verdadeiro conflito mundial hoje está expresso entre os fóruns de Davos – que este ano se realiza em Nova York – e o de Portro Alegre. O norte-americano iniciou a conferência com a análise da guerra ao terrorismo. Para ele, a reação americana era o pretexto que faltava para que a indústria armamentista voltasse a receber incentivos, porque os gastos na área militar já haviam crescido antes dos atentados de 11 de setembro.

Chomsky teme que a segunda guerra ao terrorismo repita o que ocorreu nos anos 80, quando os EUA montaram Estados mercenários na América Central sob o pretexto de combate ao terror. Segundo ele, a definição de terrorismo, que está nos manuais militares dos EUA serve também para as políticas antiterror do governo George W. Bush.

O lingüista também se referiu à "eleição roubada" de George W. Bush para a presidência dos EUA e disse que os americanos sofrem do mesmo mal. Outras pesquisas, afirmou, mostraram que, antes da eleição do ano passado, três quartos da população considerava tudo uma farsa dos partidos e dos grandes interesses. Para Chomsky, os grande grupos impuseram ao povo a filosofia da futilidade, que desmoraliza até a democracia.

 

Reproducido de Zero Hora, Porto Alegre, 2 febrero 2002.

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