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| ECONOMIA Y DESARROLLO |
INFELIZ ANO NOVO PARA A AMERICA LATINA
Michael Reid
Para diversos países latino-americanos, este não foi um bom período natalino. Os
argentinos com sorte suficiente para ter dinheiro nos bancos gastaram infrutíferas horas
em filas para tentar sacá-lo, ou mesmo sacar cheques de terceiros. Agora, eles estão
esperando para ver se seu terceiro presidente em dez dias é capaz de implementar um
programa eficaz para deter a queda livre da economia.
Em Lima, os peruanos estão de luto pela morte de quase 300 pessoas, mortas pela
explosão acidental de estoques de fogos de artifício. Em Petrópolis, um grande número
de pessoas morreu em conseqüência de enchentes e deslizamentos de lama. Nos dois casos,
os mortos foram, em parte, vítimas de pobreza. É a pobreza que leva pessoas a construir
suas casas em áreas sabidamente vulneráveis a desastres naturais. É também a pobreza
que produz tanto negligência ignorante no manuseio de fogos de artifício como o caos
congestionado do comércio informal nas ruas de Lima.
O Natal infeliz culminou um ano desalentador. Para a América Latina como um todo, o
Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,5%, segundo a Comissão Econômica para
América Latina e Caribe (Cepal), da ONU. Em termos reais, a renda per capita caiu 2%. A
região sofreu sua terceira recessão em cinco anos. Mas a recessão de 2001 foi mais
generalizada do que as duas anteriores, afetando quase todos os países da região. As
principais exceções foram os exportadores de petróleo, como o Equador, cuja economia
cresceu cerca de 5%, e o Chile, cuja pujança econômica fundamental e políticas
saudáveis produziram um crescimento de cerca de 3%.
A tragédia é que, na América Latina, as recessões anulam vários anos de avanço na
redução da pobreza. O nível de pobreza caiu de 41% em 1990 para 36% em 1997, de acordo
com a Cepal. Mas, de lá para cá, é provável que o percentual tenha subido para o mesmo
nível de uma década atrás.
Isso se deve à desigualdade na distribuição de renda e à inexistência de esquemas
de seguridade social. O desafio, como sempre, é conseguir promover um crescimento
sustentável paralelamente a uma melhoria na educação e a medidas de caráter social.
Será 2002 melhor para a América Latina? À primeira vista, a resposta é,
provavelmente, negativa. A Cepal prevê um crescimento de 1,1% para a região. Muitas
outras previsões estimam o crescimento entre 1% e 2%.
Três componentes afetarão essa previsão. O primeiro é a Argentina. As perspectivas
são sombrias. Mas se o novo governo adotar um plano econômico coerente, deixar flutuar o
peso e impedir o colapso do sistema financeiro, ao final de 2002 a Argentina poderá estar
preparada para a recuperação. O efeito dominó sobre os vizinhos poderá ser
relativamente limitado.
O segundo fator é a eleição presidencial no Brasil. A grande dúvida entre os
investidores é se aquele que vier a ocupar o cargo do atual presidente Cardoso
permanecerá comprometido com a disciplina fiscal, gerando os superávits fiscais
primários necessários para estabilizar a relação dívida/PIB, assim permitindo baixar
os juros.
O terceiro fator, e o mais importante, é a economia mundial.
O que tornou a recessão latino-americana de 2001 tão generalizada foram as
simultâneas desaceleração do comércio mundial e cessação dos afluxos de capital para
os mercados emergentes. Essa combinação foi resultado da recessão nos EUA e do reduzido
apetite por risco entre os investidores.
A previsão consensual é que a economia americana registrará uma recuperação no
segundo semestre de 2002. Mas alguns analistas acreditam que essa recuperação será
lenta e modesta. Brilha uma franja de otimismo nas nuvens que toldam o novo ano. Com
exceção da Argentina, a América Latina até agora sobreviveu à desaceleração
econômica mundial sem sofrer outra crise financeira. Com as taxas de juro baixas e os
mercados acionários provavelmente estáveis no mundo desenvolvido, o capital poderá
começar a voltar aos mercados emergentes em busca de maiores retornos.
Mas a mensagem é clara: para reduzir a pobreza, a América Latina precisará crescer mais rapidamente, exportar mais, poupar mais e educar mais, para reduzir sua vulnerabilidade a choques externos.
Michael Reid , editor de Américas da revista " The Economist ", Londres. Publicado en Valor Econômico Brasil, diciembre 2001.
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